No Dia do Pantanal, Wetlands International e parceiros vão ao DF discutir medidas efetivas de proteção ao bioma

12/11/2019

Foto: PCA-Pantanal - José Sabino | Serra do Amolar
Foto: PCA-Pantanal - José Sabino | Serra do Amolar

No dia 12 de novembro, a Wetlands International e mais 29 instituições ambientais se reunirão na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), para cobrar mais atenção com o Pantanal. O que deveria ser um dia de comemoração, na verdade será um momento para alertar sobre o que vem acontecendo no bioma. É preciso que o poder público e a sociedade se conscientizem da necessidade de combater as ameaças, desenvolvendo políticas públicas de proteção mais eficazes.

Durante o evento, será composta uma mesa com representantes das instituições para apresentar as principais ações de iniciativas e projetos de conservação do bioma, além de publicações e exibições de teasers de documentários. Dentre elas, o documento "Nova Hidrovia Paraguai-Paraná: uma análise abrangente", um estudo do Programa Corredor Azul, da Wetlands International (WI), que traz uma análise de conjuntura e factibilidade política, econômica, social e ambiental da hidrovia. Além da apresentação da carta aberta elaborada pelas lideranças da WI, que pede ações coletivas para prevenir e evitar novos incêndios no Pantanal. Para completar a programação, estão previstas palestras de representantes de organizações que atuam na região.

Foto: PCA-Pantanal | Embarcação, Hidrovia Paraguai-Paraná
Foto: PCA-Pantanal | Embarcação, Hidrovia Paraguai-Paraná

Apesar do alto grau de conservação do Pantanal, em comparação com os outros biomas brasileiros, este está longe de ser considerado totalmente protegido. É com frequência que vermos a região como cenário de destruição, ocasionado muitas vezes pela ação daqueles que a exploram. Nos últimos meses os incêndios florestais vêm impactando fortemente na fauna e na flora, causando transtornos nas áreas urbanas e acarretando perda econômica na vida daqueles que tiram seu sustento da natureza.

Observa-se ainda, a degradação das nascentes e assoreamento de rios, devido ao desmatamento. Um desastre ambiental que favorece o surgimento de imensos desertos inundados, onde antes já haviam sido espaços de pastagens produtivas. Outro grande risco é a instalação de inúmeras Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no planalto, que afetam diretamente a planície.

Para piorar, no último dia 6 de novembro, o governo federal publicou um decreto revogando uma proibição que vigorava havia dez anos à expansão do cultivo de cana em três regiões sensíveis: a Amazônia, o Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai. Com o fim da legislação, em tese, não existem mais restrições para o plantio da cultura no país. O zoneamento vinha sendo uma garantia da sustentabilidade do álcool brasileiro.

O Pantanal está sob forte ameaça, por essa razão, medidas para sua proteção se mostram urgentes.

*Transmissão ao vivo, a partir das 14h, pelo site da Câmara dos Deputados
https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/58440